Conversa de Botequim

Uma visão desfocada da realidade do mundo

Indecisão

Posted by José Eduardo Coutelle em 4 dezembro, 2007

Sou um cara extremamente indeciso. É comum eu ir nas vídeolocadoras e ficar horas lá dentro. Olho todos os DVDs, e acabo saindo sem nenhum. Isso tudo por indecisão. Sempre tive essa qualidade, que para mim é mais um defeito. O problema é que minha indecisão se dá com tudo daquilo que eu não domino ou desconheço.

Uns diriam que minha indecisão não passa de medo de errar; medo de tentar o novo. E em parte esta afirmativa é verdadeira. Lembro-me que um dia eu e os meus amigos fomos ao shopping de Tramandaí e resolvemos jogar boliche. Como uma novidade na minha vida, tive medo. Acabei apenas olhando. Acredite, fui até lá e não joguei. Até as meninas que estavam com a gente jogaram. Seus arremessos sempre iam direto para a canaleta. Uns quase não chegavam nos pinos. E mesmo assim não joguei. Não agüentei a possibilidade de falhar na frente de todo mundo; de ser tachado de ruim, de fraco. Toda vida os fracos foram os perdedores e eu nunca gostei muito de vestir este perfil. Apenas olhei, e olhei bem. Vi os movimentos, a força, o gingado, os efeitos, as manhas e os macetes. Vi tudo. Estava quase no fim do horário e tive de por (merda… não funciona o cicunflexo do meu teclado) em prática todo meu conhecimento acumulado. Não deu outra: em cinco arremessos, dois strikes.

Na questão afetuosa sou assim também. Me é difícil ter de desconversar uma pessoa que eu nunca vi na minha vida. Nem conheço os seus gostos, seus filmes prediletos, suas bandas preferidas ou, se prefere tomar café com açúcar ou adoçante. Tentar ser engraçado é uma saída, mas que muitas vezes pode dar em nada. A verdade é que o fato se resume a um ato de coragem. O mundo é dos corajosos. Nesse caso, cultura não serve pra nada, a menos que tu venha a escolher uma mulher metida a intelectual ou pseudo-intelectual. Contudo a probabilidade disso ocorrer é mínima.

Nesse aspecto eu tenho um amigo que ganha de anos luz de qualquer pessoa. Ele não faz a menor idéia o que significa a palavra “vergonha” ou “encabulado”. Todas as meninas com que eu falo já disserem que foram “cantadas” por ele. Até rosas elas receberam. O fato é que Deus deu a virtude da coragem e não a da beleza para ele. Irremediavelmente, ele também não se sai vencedor na empreitada. O pior de tudo é que ele acaba por ficar tachado de “o cara que chega em todo mundo e não pega ninguém”.

É… o mundo é dos corajosos. Já dizia o personagem de woody Allen no filme Manhattan. Dizia ele que, caso alguém estivesse se afogando em um rio, todos os ditos “cultos” e “intelectuais” ficariam na margem apenas olhando ou traçando projetos de como salvá-la, ou ainda lamentando-se não poder fazer nada. Bastaria um simples corajoso para entrar na água e salvar a vida daquela infeliz. Realmente, o mundo é dos corajosos.

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Uma resposta to “Indecisão”

  1. […] quanto maior a capacidade de alguém, maior será o seu poder sobre ele. Mas isso não é tudo. Como já escrevi em um artigo anterior, a coragem é uma das grandes qualidades do homem. Sem ela, não se poderia tomar as decisões mais […]

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