Conversa de Botequim

Uma visão desfocada da realidade do mundo

As irmãs Unemot(ion)

Posted by José Eduardo Coutelle em 3 dezembro, 2007

Tenho pena de um amigo meu. O cara é gente finíssima. Possui um ótimo coração. Bom demais para complementar. Contudo a sua principal virtude é ao mesmo tempo sua maior fraqueza: ele é do tipo sentimental. Se envolve muito fácil com as mulheres. Sem perceber ele só consegue pensar nelas, fica apaixonado. Isso não seria um problema caso ele conhecesse pessoas de igual virtude. A verdade é que ele tem uma tara por mulheres fáceis, aquelas que não têm coração nem sentimento; que só querem um pouco de prazer e depois mais nada.

Hoje percebi que ele está apaixonado por duas irmãs. Pelas duas igualmente e ao mesmo tempo. Elas tinham um sobrenome diferente, estranho. Não sei qual era a sua descendência, mas pelo que entendi chamavam-se Emot, ou Unemot ou ao contrário, sei lá. Nunca tinha ouvido falar. Voltando ao assunto, ele via na companhia delas uma forma de elevar seu status social. Esqueci de mencionar, as duas são modelos, ou pelo menos dizem que são. Uma fatalmente loira, com seus hipnotizantes olhos verdes. A outra pousando de recatada, com seus cabelos castanhos. Ambas tão claras como o leite. Seria difícil não se apaixonar por elas. Não culpo este meu amigo. Com os olhos cor de jade, as duas manipulavam este meu amigo. Este apaixonado, como um cão pelo seu dono, era capaz de qualquer coisa para obter o amor delas.

Nunca hei de me esquecer o poder que uma mulher pode exercer sobre um apaixonado. E digo mais, elas faziam tudo aquilo por maldade. Queriam saber até quando ele resistiria. Sempre tive medo que ele acabasse por fazer alguma bobagem. Os apaixonados perdem a razão facilmente. Me lembro como se fosse hoje o dia em que os três foram em uma festa juntos. Elas o deixaram de lado logo na entrada, nem o olhavam. E o pior de tudo: elas conversavam com todos da festa, desde o barman até o segurança. Até um rapazinho franzino de boné para trás passou na frente do meu amigo. Todos abraçavam as duas, e as seguravam, e as acariciavam, e as desconversavam, e o meu amigo agüentava calado todo aquele sofrimento. Contudo, mesmo assim era incapaz de se desvencilhar delas.

Esse tipo de mulher não serve para pessoas comuns como nós. Elas diziam, “compra uma bebida pra nós?”, ou “vamos comer alguma coisa?”. Facilmente se lia nos sorrisos delas a seguinte frase: “vamos gastar todo o nosso (teu) dinheiro, vamos nos divertir (apenas nós duas) e depois vamos para casa (tu nos leva, e só)”. Todos viam que este meu amigo era o otário da vez. Mas muitos já o foram, e não o culpo por isso. O coração não é coisa muito fácil de controlar. Até eu, que sou um cara absolutamente racional, por pouco não perco a razão. Como vampiras, elas sugam todo o seu sangue e depois escolhem outro para assumir a posição.

Agora este meu amigo deve estar as levando para casa ou coisa assim. Mas apenas exercendo o trabalho que um taxista faria por dinheiro. Elas dirão que se divertiram muito; que adoram a sua companhia; que o querem rever brevemente. O darão um beijo no rosto e irão embora. Essas mulheres não são para nós, caras sentimentais.

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